PUBLICAÇÕES

Joan Miró

O lugar que a Psicanálise vem cunhar no construto do pensamento humano é marcado pela subversão que ela efetiva na ordem das questões percorridas há cerca de dois milênios e meio, embora o que vem subverter seja, paradoxalmente, o aparato que a constitui. Ou seja, a personagem de Freud entra em cena na diacronia da história do pensamento, como efeito da cópula de significantes produzidos nesse recorte temporal situado entre o que procede retroativamente de impressões atuais até a Antiguidade.

A verdade sublevada por Freud é de uma ordem díspar daquela a que o pedantismo científico supõe ater-se. Ela está radicalmente marcada, enquanto relativa à questão que a produz alhures, pela impossibilidade de ser Toda. Ela será sempre parcial e estará inerentemente atrelada ao engano.

O notável do grande impacto efetivado por Freud é a torção que ele produzirá com a reintrodução do sujeito na ciência, de onde havia sido banido pelos preceitos da ciência moderna. Assim o campo freud-lacaniano situa-se numa perspectiva epistemológica que estabelece uma posição para além da ciência. O que de maneira alguma significa um ponto a mais na hierarquia do circuito das ideias dentre os diversos campos da formalização do conhecimento, mas sim uma posição advinda do que é-feito num tempo só depois em determinado segmento diacrônico. Em outras palavras, não haveria psicanálise sem a ciência do ocidente.

Portanto, a psicanálise ocupa uma posição outra quando toma a verdade numa relação que está referida à teoria do inconsciente. Ela demonstra que a razão consciente e o pleno discernimento de um homem senhor de sua percepção e de suas vontades estão calcados no inconsciente estruturado como linguagem, que não cessa de escrever seus efeitos nos sonhos, lapsos, chistes, resultado da insistência de um real impossível de se inscrever.

A escrita é um caminho por onde analistas exercem a transmissão da psicanálise, articulando o modo como o real opera na produção de saber na Escola, promovendo o que sustenta a posição da psicanálise, uma ciência do sujeito, no diálogo com os distintos discursos, particularmente os das assim chamadas ciências humanas. Por essa razão, os analistas que seguiram as recomendações lacanianas, com suas letras, um a um, se empenharam em responder e discutir as doutrinas de Freud e Lacan.

Antígona é a revista do Toro – Escola de Psicanálise, lugar onde se inscreve a produção dos textos de seus membros, na busca do estilo e da autoria que em radical singularidade sustentam a psicanálise na cultura.

ANTÍGONAS

Antígona 01

Antígona 07

Antígona 02

Antígona 08

Antígona 03

Antígona 09

Antígona 04

Antígona 10

Antígona 05

Antígona 11

Antígona 06

Antígona 12