A Escola

border2

 

O Toro – Escola de Psicanálise, fundado em 27 de julho de 1996 em Maceió por um ajuntamento de analistas e interessados na psicanálise, sustenta o princípio de que analistas estão definitivamente em formação e que uma Escola de psicanálise é um lugar onde está posta a exigência de elaboração do Real que, em sua impermeabilidade ao simbólico, insiste em não se inscrever. Portanto, “si” produz numa construção perene, no trilho da transferência de trabalho, que nos convoca cada dia à tarefa da transmissão da psicanálise.

Diferentemente do mestre, cuja autorização se sustenta do olhar do Outro, assujeitado a um saber imaginário, o analista se autoriza de si mesmo, sujeito ao saber da castração. Lacan abre a “Proposição de 9 de outubro de 1967 sobre o analista da Escola” articulando um princípio: “Antes de mais nada, um princípio: o psicanalista só se autoriza de si mesmo”. Contudo, continua: “Isso não impede que a Escola garanta que um analista depende de sua formação”. Suas recomendações na “Proposição” culminam quando, em torno da questão do suposto saber, ele diz que, se do saber suposto o psicanalista nada sabe, isso não o autoriza, “de modo algum, a se dar por satisfeito com saber que nada sabe, pois o de que se trata é do que ele tem de saber”.

Nos Escritos Lacan alude com precisão às concepções freudianas sobre a perspectiva epistemológica propícia à construção de um saber da Psicanálise, enquanto este abrange e catalisa com amplitude uma cultura universal: "Como esquecer, com efeito, que Freud manteve constantemente e até o seu fim a exigência primeira dessa qualificação para a formação dos analistas, e que ele designou na Universitas Litterarum de sempre o lugar ideal para sua instituição?". Aqui fica claramente apontada a perspectiva do olhar de Freud para os elementos a serem produzidos, imprescindivelmente, para compor o tecido da Formação.

Desta forma, o Toro – Escola de Psicanálise enfrenta as exigências próprias a um terreno que estabelece a radical diferença entre saber e conhecimento no percurso da formação. Este saber não pode ser regulamentado pelo ditame do Outro. Resulta de uma produção que se depreende na autoria do texto psicanalítico, fundamental, que não é selecionado de acordo com referências prévias e padrões determinados pelo establishment, mas é resultado da afirmação de um sujeito em seu ato, com sua palavra, tramando seus pensamentos e ideias, com os quais contribui em sua singularidade, com seu estilo para o conjunto da obra humana. Dessa forma, o Toro coloca em marcha o trabalho da publicação, tarefa indispensável para o compromisso com a transmissão da psicanálise, estabelecendo o campo da interlocução que sustenta o circuito dos registros de nossas discussões, nossas invenções e nossas proposições para os problemas e desafios que a clínica, os estudos e o mal-estar na civilização colocam.

Nessa direção o Toro – Escola de Psicanálise mantém uma constante interlocução com outros campos do conhecimento e da arte pela via de atividades abertas para o diálogo com intelectuais que partilham o interesse de questões próprias aos desafios do laço social e da política como também nos grupos de estudos e saraus sistemáticos que se ocupam com a Literatura, a História, a Filosofia, a Religião, a Antropologia, a Música e o Cinema.

EVENTOS

border2

Dialogando: O fenômeno evangélico no Brasil 31/08/2019

Num país há muito declarado de população em sua maioria católica, a vertente chamada vagamente “evangélica” se encaminha para, em breve, assumir a dianteira em termos numéricos, assentada em grande parte nas camadas mais desfavorecidas de sua gente. Mas sua relevância na cena atual é evidente, despertando questões sobre o impacto, na sociedade mais geral, […]

Programação 2019

border2